A diferença entre o que a gente percebe e o que a gente sente

O sentir, os sentidos e os sentimentos.


Outro dia fiquei pensando numa palavra que usamos o tempo todo: sentir.


A gente sente o calor do chá na xícara. Sente o perfume da terra quando começa a chover. Sente a aspereza de uma parede antiga. Sente a música preencher um cômodo vazio.


Mas também sente saudade.

    

Sente medo.


Sente esperança.


Curioso como a mesma palavra atravessa dois mundos. Um chega pelos sentidos. O outro nasce por dentro.


Os sentidos avisam que alguma coisa está acontecendo ao nosso redor. Os sentimentos contam o que essa mesma coisa fez conosco.


Duas pessoas podem caminhar pela mesma rua. As duas escutam o mesmo sino, respiram o mesmo ar e passam pela mesma árvore. No entanto, uma volta para casa carregando alegria. A outra, uma tristeza que nem sabe explicar.


O mundo era o mesmo.


Quem mudou foi o lugar onde cada um o recebeu.


Talvez seja por isso que conhecer alguém nunca seja apenas descobrir o que essa pessoa vê, escuta ou toca.


É descobrir como ela sente.


Porque os sentidos nos apresentam a realidade.


Mas são os sentimentos que lhe dão significado.


E, no fim das contas, não somos lembrados pelas coisas que percebemos.


Somos lembrados pelo modo como fizemos os outros se sentirem.



 

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