A diferença entre o que a gente percebe e o que a gente sente

O sentir, os sentidos e os sentimentos.


Outro dia fiquei pensando numa palavra que usamos o tempo todo: sentir.


A gente sente o calor do chá na xícara. Sente o perfume da terra quando começa a chover. Sente a aspereza de uma parede antiga. Sente a música preencher um cômodo vazio.


Mas também sente saudade.

    

Sente medo.


Sente esperança.


Curioso como a mesma palavra atravessa dois mundos. Um chega pelos sentidos. O outro nasce por dentro.


Os sentidos avisam que alguma coisa está acontecendo ao nosso redor. Os sentimentos contam o que essa mesma coisa fez conosco.


Duas pessoas podem caminhar pela mesma rua. As duas escutam o mesmo sino, respiram o mesmo ar e passam pela mesma árvore. No entanto, uma volta para casa carregando alegria. A outra, uma tristeza que nem sabe explicar.


O mundo era o mesmo.


Quem mudou foi o lugar onde cada um o recebeu.


Talvez seja por isso que conhecer alguém nunca seja apenas descobrir o que essa pessoa vê, escuta ou toca.


É descobrir como ela sente.


Porque os sentidos nos apresentam a realidade.


Mas são os sentimentos que lhe dão significado.


E, no fim das contas, não somos lembrados pelas coisas que percebemos.


Somos lembrados pelo modo como fizemos os outros se sentirem.

Descrição da imagem: Uma árvore centenária, marcada pelas cicatrizes do tempo, guarda em seu interior um pequeno broto verde que nasce de uma fenda no tronco. Ao fundo, um caminho leva a uma igreja iluminada pelo sol do entardecer. A cena sugere que a verdadeira transformação não apaga o passado; ela floresce a partir dele. O broto representa a esperança que insiste em nascer, mesmo onde antes havia apenas madeira envelhecida. O caminho e a igreja lembram que toda metamorfose é também uma jornada de fé, amadurecimento e recomeço.


 

Comentários

Marlene disse…
Parabéns pelo texto!

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