O cego que coleciona histórias: 5º Encontro
Já sentiu que não encontrou algo — mas foi encontrado? Certa vez, Raul Seixas cantou que teve um sonho de sonhador... E foi numa vibração parecida que o Cego entrou em um transe profundo, sendo apresentado à história do cajado. O cajado não foi fabricado. Foi tecido pelo tempo. Dizem que nasceu de uma árvore crescida numa encruzilhada antiga, lugar onde viajantes descansavam antes de escolher caminhos. Ali ficaram despedidas, promessas e segredos soprados ao vento. A madeira se desenvolveu escutando tudo isso e muito mais. Antes de chegar na casa do cego, em Tupã, passou por outras mãos... Uma benzedeira do cerrado. Um monge baiano. Uma contadora de causos à beira do rio Amazonas. E um ancião que dizia interpretar o silêncio nos pampas. Nunca procurou força. Procurava repouso. E naquele sonho o cego teve algo revelador... Toc-Toc-Toc. O cajado que, no dia anterior, havia sido deixado no portão de sua casa, fora trazido pelo Vento do Encontro. Não foi acaso. Foi escolha! Ainda atordoado...