📖 Capítulo 10: Tupã à sombra da figueira
🏍️😎🧑🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado Entrei em Tupã pelo trevo principal como quem retorna ao que escolhi um dia. A Gatuna não pediu pressa. Apenas virou o guidão e me conduziu até a sombra da figueira. Eu sei: ali, o tempo costuma respeitar quem senta. Desliguei a moto. Comprei um copo de caldo de cana, gelado, doce na medida certa. Tupã tem dessas coisas: não complica o que pode ser simples. Fiquei ali, ouvindo a cidade passar sem me atravessar. Foi nesse contexto que desabafei com a Gatuna. Contei que decidi morar em Tupã sem nunca ter vindo antes. Uma escolha pensada, adulta, mas sem garantias. Disse que cheguei e fiquei, e que a cidade não me perguntou nada, apenas abriu espaço para que eu sustentasse minha própria decisão. Falei dos meus filhos, nascidos ali, enquanto a cidade seguia funcionando. Tupã não parou para celebrar a vida. E talvez por isso mesmo tenha me ensinado tanto sobre continuidade. Disse que foi ali que me realizei como professor. Sal...