O Cego que Coleciona Histórias: 6º Encontro
Até onde vai o preço de dizer não? A sombra da árvore na praça da matriz de São Pedro, segurava o calor da tarde como conversa antiga. O ar parecia suspenso em Tupã- SP. Um motoqueiro passou acelerando, o escapamento estourado rasgando o silêncio da rua. Toc-Toc-Toc. A ponta do cajado encontrou a calçada até parar junto ao banco já gasto pelo uso. O Cego percebeu passos firmes se aproximando. A respiração vinha pesada. Não era só cansaço. — Boa tarde… meu nome é Durval. Sou fiscal da prefeitura. Ele limpou a garganta, como quem organiza o que ainda está confuso por dentro. — Posso te contar algo muito sério que aconteceu comigo? O Cego inclinou levemente a cabeça. — Ontem fechei uma lanchonete na avenida Tamoios. Falta de higiene. Um carro passou com o som grave vibrando o ar ao redor. — O dono me chamou no canto… disse que dava um jeito. Durval parece ter chutado um pedregulho. — Jeito quer dizer dinheiro. O vento mexeu as folhas do galho acima deles. — Eu disse não. O silêncio que ve...