Um Deus do infinito para um povo finito

Somos finitos tentando compreender o infinito.


Na saída da missa de domingo, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Pompeia-SP, fiquei ouvindo dois homens conversarem sobre Deus.


Um dizia que Deus nunca abandona ninguém.

O outro respondia que, se fosse assim, certas coisas não teriam acontecido.


Falavam com a segurança de quem conhecia os caminhos do céu.


Até que uma menina, que caminhava alguns passos à frente com a mãe, parou.


— Mãe, Deus sabe tudo?


— Sabe.


A menina pensou um pouco.


— Então Ele sabe por que a gente não entende tudo?


A mãe sorriu.


— Acho que sabe.


E seguiram.


Os dois homens ficaram em silêncio por alguns segundos.


Tinham acabado de ouvir uma criança fazer, em duas frases, uma pergunta que eles tentavam responder havia muito tempo.


A gente gosta de ter razão.


Até quando fala de Deus.


Quer saber onde Ele está, por que permite certas coisas, por que atende uma oração e parece não escutar outra. Quer encontrar explicações, organizar o mistério, colocar o infinito dentro das medidas que conhece.


Isso é uma necessidade humana.


Somos pequenos diante de tantas coisas.


Medimos o tempo, o espaço, a distância, a idade. Damos nome ao que conseguimos compreender. E, quando alguma coisa escapa, inventamos maneiras de segurá-la.


Mas um Deus que cabe perfeitamente nas nossas certezas não é infinito.


É apenas uma ideia nossa.


A fé não começa quando encontramos respostas para tudo.


Começa quando reconhecemos que algumas perguntas são maiores do que nossas respostas.


A menina continuou andando.


Os dois homens também.


Só que, naquela manhã, os três levaram para casa alguma coisa diferente.


Ela, uma pergunta.


Eles, um pouco menos de certeza.


E todos, diante do infinito. 😎👨‍🦯


Descrição da imagem: Em uma antiga parede de pedras, um pequeno oratório de madeira permanece aberto e vazio. Uma estreita janela ao fundo permite a entrada de um único feixe de luz, que ilumina delicadamente seu interior. O contraste entre a rusticidade da pedra, o calor da madeira e a luz suave cria um ambiente de recolhimento, esperança e encontro com Deus. A imagem evoca a ideia de que, mesmo nos lugares mais simples, a luz sempre encontra um caminho para entrar.


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