Um Deus do infinito para um povo finito
Somos finitos tentando compreender o infinito.
Na saída da missa de domingo, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Pompeia-SP, fiquei ouvindo dois homens conversarem sobre Deus.
Um dizia que Deus nunca abandona ninguém.
O outro respondia que, se fosse assim, certas coisas não teriam acontecido.
Falavam com a segurança de quem conhecia os caminhos do céu.
Até que uma menina, que caminhava alguns passos à frente com a mãe, parou.
— Mãe, Deus sabe tudo?
— Sabe.
A menina pensou um pouco.
— Então Ele sabe por que a gente não entende tudo?
A mãe sorriu.
— Acho que sabe.
E seguiram.
Os dois homens ficaram em silêncio por alguns segundos.
Tinham acabado de ouvir uma criança fazer, em duas frases, uma pergunta que eles tentavam responder havia muito tempo.
A gente gosta de ter razão.
Até quando fala de Deus.
Quer saber onde Ele está, por que permite certas coisas, por que atende uma oração e parece não escutar outra. Quer encontrar explicações, organizar o mistério, colocar o infinito dentro das medidas que conhece.
Isso é uma necessidade humana.
Somos pequenos diante de tantas coisas.
Medimos o tempo, o espaço, a distância, a idade. Damos nome ao que conseguimos compreender. E, quando alguma coisa escapa, inventamos maneiras de segurá-la.
Mas um Deus que cabe perfeitamente nas nossas certezas não é infinito.
É apenas uma ideia nossa.
A fé não começa quando encontramos respostas para tudo.
Começa quando reconhecemos que algumas perguntas são maiores do que nossas respostas.
A menina continuou andando.
Os dois homens também.
Só que, naquela manhã, os três levaram para casa alguma coisa diferente.
Ela, uma pergunta.
Eles, um pouco menos de certeza.
E todos, diante do infinito. 😎👨🦯

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