O que liga a urna ao espelho?

A pergunta mais desconfortável desta crônica talvez não seja sobre os políticos.


Seja sobre você.


Porque é fácil reconhecer a mentira quando ela vem do outro lado. Difícil é saber o que fazemos quando ela vem acompanhada daquilo em que já queremos acreditar.


Leia. E descubra de que lado do espelho você está.


Por que alguns políticos mentem e os eleitores continuam votando neles?


Será que mentem porque são políticos?

Ou será que são políticos porque descobriram que mentir dá voto?


Sabemos que mentem. E mesmo assim damos poder a eles.

Será que não sabemos mesmo?

Ou fazemos aquele pequeno esforço democrático de fingir que não sabemos?


Quando o adversário mente, exigimos sua cabeça.

Quando o nosso mente, encontramos uma explicação.

Estamos defendendo a verdade?

Ou apenas o nosso lado?


Estamos procurando alguém para nos representar?

Ou alguém disposto a confirmar tudo aquilo que já decidimos acreditar?


Afinal, queremos um representante?

Ou um espelho?


E, antes de olhar para o palanque, será que não deveríamos olhar para a urna?

Ou, melhor ainda, para o espelho? 😎👨‍🦯


Quer continuar pensando fora da caixa? 

Clique no link abaixo para uma reflexão sobre o Brasil das calçadas: 

https://www.sementesdementes.blog.br/2025/06/um-pais-que-tropeca-na-propria-calcada.html



Descrição da imagem  A imagem é uma pintura digital em formato horizontal, com aparência de uma pintura feita à mão, em tons quentes de marrom, ocre e dourado.  A cena acontece em um ambiente rústico, semelhante a uma casa antiga ou varanda de interior. A luz suave do fim da tarde entra pela abertura ao fundo e ilumina uma mesa de madeira envelhecida.  No lado esquerdo da mesa, há uma urna eleitoral antiga, feita de madeira escura. Ela é retangular, robusta e tem uma pequena abertura na parte superior. Um pedaço de papel branco está parcialmente colocado nessa abertura. Na parte frontal da urna existe uma fechadura metálica.  No lado direito, apoiado sobre a mesa, tem um espelho antigo, de moldura larga e irregular, também de madeira envelhecida. O espelho não mostra claramente um rosto. Ele reflete a silhueta de uma pessoa sentada ou em pé diante dele, vista de costas e parcialmente envolvida pela luz. A pessoa parece estar usando uma boina.  Esse detalhe é importante: o espelho não apresenta um rosto definido. Ele sugere uma pessoa, mas não permite identificá-la. Isso reforça a ideia de que o reflexo pode ser qualquer um de nós.  Sobre a mesa, próximo ao espelho, existe  um livro ou caderno antigo, sobre o qual repousam óculos escuros. Ao lado deles aparecem algumas folhas ou pequenos ramos.  No canto direito, tem um vaso simples de barro com uma planta verde.  Ao fundo, através de uma abertura, aparece uma pequena paisagem de cidade do interior: árvores, algumas casas e uma igreja com uma torre. Tudo está suavemente desfocado pela distância e pela luz.  A composição estabelece uma relação visual muito clara:  urna de um lado, espelho do outro.  Entre os dois está a mesa, como se fosse uma ponte silenciosa entre a escolha que fazemos na urna e aquilo que encontramos quando somos convidados a nos reconhecer no espelho.  Não há multidão, palanque, político ou cena eleitoral explícita. A imagem é silenciosa e contemplativa.  A urna pergunta: “O que você escolheu?” O espelho devolve: “E o que essa escolha diz sobre você?”


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