Pisa no freio, Pai

Às vezes, a vida não pede que a gente chegue mais rápido.


Pede apenas que a gente não passe correndo por quem está ao nosso lado.


E se diminuir a velocidade for justamente o que nos permite perceber quem está viajando conosco?


Descrição da imagem  A ilustração mostra uma cena vista de frente para o interior de um carro, como se o observador estivesse diante do veículo, olhando através do para-brisa.  No banco do motorista está um homem adulto, o pai. Ele tem cabelos escuros, veste uma camisa azul de aparência simples e segura o volante com uma das mãos. Seu rosto está voltado para a estrada, com uma expressão tranquila e pensativa.  Ao lado dele está seu filho, um menino pequeno, dormindo profundamente. Ele está preso pelo cinto de segurança e repousa a cabeça junto ao vidro da janela. A proximidade entre os dois transmite uma sensação de intimidade e segurança.  O carro está parado ou seguindo muito devagar em uma rua tranquila de uma pequena cidade.  Ao fundo, à esquerda, aparece uma padaria antiga, de fachada simples, com uma grande placa escrita "PADARIA". Pela vitrine é possível perceber os pães iluminados pela luz quente do interior.  Na calçada, próxima à padaria, uma senhora sorri e acena para o carro. Ela é um pequeno elemento da cena, quase como alguém que o pai normalmente passaria sem perceber.  A rua se estende para o fundo da imagem, ladeada por árvores, casas simples e postes. Ao longe aparecem pequenas elevações cobertas de vegetação.  À direita, há um semáforo mostrando a luz vermelha.  A iluminação é de fim de tarde. O sol dourado atravessa as árvores e toca o carro, as fachadas e a rua. A paisagem tem tons de ocre, marrom, verde e azul, com uma aparência envelhecida e levemente artesanal.  O elemento mais bonito da composição é que o menino dorme enquanto o pai parece finalmente desacelerar. A padaria, a senhora, o sinal vermelho e a rua deixam de ser apenas cenário e passam a representar aquilo que normalmente passa despercebido quando estamos com pressa.  A sensação geral é de um instante cotidiano que finalmente encontrou tempo para ser percebido.  Para o texto "Pisa no freio, Pai", a imagem conversa especialmente bem com a ideia do final: eles não precisam chegar mais tarde; precisam chegar juntos.


— Pisa no freio, pai!


Ele ouviu, mas demorou a tirar o pé do acelerador.


A rua estava quase vazia. Mesmo assim, dirigia como quem tinha um compromisso marcado com o futuro.


Passou pela padaria sem perceber o cheiro do pão. Não viu a vizinha acenando na calçada. Nem reparou que o filho, sentado ao lado, havia parado de contar a história da escola.


— Pai?


— Fala, filho.


— Nada não.


Ele continuou dirigindo.


No sinal vermelho, pensou em até furar, mas, finalmente parou.


Ficou alguns segundos em silêncio.


Foi quando percebeu que o filho dormia encostado no vidro.


Olhou para o relógio. Ainda havia tempo.


Quando o sinal abriu, não arrancou.


Seguiu devagar e deu meia-volta.


A padaria continuava ali. A vizinha também e sentiu... O sol parecia bater diferente nas casas quando a gente não passa correndo. 


—Sabe de uma coisa? — disse o pai. — Acho que a gente pode ir mais devagar.


O menino abriu os olhos e deu um sorriso lindo.


— Pode mesmo, pai.


E os dois seguiram.


Não chegaram mais tarde.


Só chegaram juntos. 😎👨‍🦯



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Uma história sobre presença, mudança e aquilo que permanece quando quase tudo parece ter mudado.

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