Pisa no freio, Pai
Às vezes, a vida não pede que a gente chegue mais rápido.
Pede apenas que a gente não passe correndo por quem está ao nosso lado.
E se diminuir a velocidade for justamente o que nos permite perceber quem está viajando conosco?
— Pisa no freio, pai!
Ele ouviu, mas demorou a tirar o pé do acelerador.
A rua estava quase vazia. Mesmo assim, dirigia como quem tinha um compromisso marcado com o futuro.
Passou pela padaria sem perceber o cheiro do pão. Não viu a vizinha acenando na calçada. Nem reparou que o filho, sentado ao lado, havia parado de contar a história da escola.
— Pai?
— Fala, filho.
— Nada não.
Ele continuou dirigindo.
No sinal vermelho, pensou em até furar, mas, finalmente parou.
Ficou alguns segundos em silêncio.
Foi quando percebeu que o filho dormia encostado no vidro.
Olhou para o relógio. Ainda havia tempo.
Quando o sinal abriu, não arrancou.
Seguiu devagar e deu meia-volta.
A padaria continuava ali. A vizinha também e sentiu... O sol parecia bater diferente nas casas quando a gente não passa correndo.
—Sabe de uma coisa? — disse o pai. — Acho que a gente pode ir mais devagar.
O menino abriu os olhos e deu um sorriso lindo.
— Pode mesmo, pai.
E os dois seguiram.
Não chegaram mais tarde.
Só chegaram juntos. 😎👨🦯
👉🏻 Dica de leitura aqui no nosso blog:
E se aquilo que mudou em nossa vida não fosse capaz de apagar aquilo que ainda podemos viver?
Às vezes, uma mudança nos obriga a reaprender o caminho, mas também nos faz descobrir que a vida continua encontrando maneiras de seguir.
Uma história sobre presença, mudança e aquilo que permanece quando quase tudo parece ter mudado.
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