A República dos Canalhas
A República brasileira nasceu prometendo que o povo seria parte da história.
Mais de um século depois, será que deixamos de assistir e começamos, de fato, a participar?
Leia. E descubra onde termina a sua escolha e começa a escolha que fizeram por você.
O historiador José Murilo de Carvalho chamou de “bestializados” aqueles que assistiram ao nascimento da República brasileira sem participar de sua construção. O povo estava nas ruas, mas a política acontecia em outro lugar.
Passou mais de um século. Mudaram os palácios, os meios e as ferramentas. O jogo, porém, continua tendo jogadores e espectadores.
Hoje, dinheiro e poder circulam por gabinetes, bancos, empresas e salões onde o povo raramente entra. O caso do Banco Master e seus desdobramentos é mais um daqueles espetáculos em que o cidadão comum acompanha pela televisão aquilo que jamais poderá decidir numa mesa de negociações.
Mas existe uma arma ainda mais poderosa que o dinheiro: a informação.
A imprensa escolhe manchetes, personagens, versões e também aquilo que deixa de ocupar suas páginas. Nas redes sociais, máquinas, contas falsas e gente de verdade fazem o resto.
E então acontece o mais perverso.
Um vídeo chega ao celular vindo de alguém em quem se confia.
“Olha isso aqui.”
O sujeito acredita. Não porque seja incapaz de pensar, mas porque confia em quem lhe enviou. Compartilha.
Pronto.
O que nasceu como mentira ganha a força da verdade.
E assim o povo pode acabar defendendo, com a própria voz, interesses que não são os seus.
Os antigos bestializados pouco sabiam sobre o jogo político. Os de hoje sabem demais e, ainda assim, podem ser conduzidos pelo jogo de versões que chega diariamente ao celular.
Talvez essa seja a esperteza dos canalhas: não precisar calar o povo. Basta convencê-lo de que está pensando por conta própria.
Estamos em tempo de eleição.
Mais do que escolher candidatos, talvez seja hora de escolher também em quem acreditar.
Porque democracia não é apenas votar.
É não entregar a ninguém o direito de pensar por nós.
A República continua sendo nossa.
A pergunta é: até quando vamos apenas assistir? 😎👨🦯
👉🏻 Dica de leitura aqui no nosso blog:
Entre a urna e o espelho existe uma pergunta que talvez incomode mais do que deveria.
Quando a mentira confirma aquilo que queremos acreditar, ainda conseguimos reconhecê-la?
Leia. E descubra de que lado do espelho você está.

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