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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

📖 Capítulo 12: O texto final ou um manifesto?

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🏍️😎🧑‍🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado A Gatuna está desligada. Mas eu não. Percorri trevos, cruzamentos, trilhos antigos, cidades que me formaram antes de eu perceber que estavam me ensinando. Pompéia me deu identidade. Quintana me fez pensar o silêncio. Herculândia mostrou que o mapa nem sempre explica as divisões. Tupã me ensinou permanência. No começo da série, muitos acharam que era sobre uma moto. Alguns pensaram que era sobre cegueira. Mas sempre foi sobre vínculo. Quando perdi a visão, não perdi a estrada. Perdi a pressa. Foi ali que entendi o que já tinha lido e não vivido: o essencial não se oferece aos olhos. Oferece-se ao tempo. A cada capítulo, a estrada deixou de ser chão e virou complemento. O ronco da Gatuna deixou de ser barulho e virou memória vibrando no peito. A cidade deixou de ser cenário e ganhou vida. E com tudo isso, aprendi que domesticar não é dominar. É cuidar do que nasce entre dois. Entre um homem e sua máquina. Entre um pai e seu...

Capítulo 11: No fio da história

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🏍️😎🧑‍🦯 Série – O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado 📖 Pompéia, Quintana, Herculândia e Tupã Matas, café, Trilhos e divisões invisíveis Estou no trecho. A Gatuna avança pela SP-294. O asfalto vibra sob os pneus como se guardasse memória. Não enxergo as placas, mas reconheço o território pelo som: o vento muda, o eco se abre, o chão responde. A rodovia fala e eu escuto. Antes da estrada, houve trilho. Antes do trem, o café. Antes do café, mata fechada. E antes da mata cortada, passos indígenas que conheciam cada dobra desse chão. Essas cidades não nasceram isoladas. Elas se dividiram, como células de um mesmo corpo. Pompéia vem primeiro no pensamento. Não só como cidade, mas como estrutura. Chão central, organizador, administrativo. Foi chão-mãe. Dela partiram limites, decretos, desmembramentos e cidades inteiras. Quintana nasce desse movimento. Primeiro lavoura, depois distrito, depois cidade. Mudou de nome, de gestão, até firmar identidade própria. Filha do trilho e da re...

📖 Capítulo 10: Tupã à sombra da figueira

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🏍️😎🧑‍🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado Entrei em Tupã pelo trevo principal como quem retorna ao que escolhi um dia. A Gatuna não pediu pressa. Apenas virou o guidão e me conduziu até a sombra da figueira. Eu sei: ali, o tempo costuma respeitar quem senta. Desliguei a moto. Comprei um copo de caldo de cana, gelado, doce na medida certa. Tupã tem dessas coisas: não complica o que pode ser simples. Fiquei ali, ouvindo a cidade passar sem me atravessar. Foi nesse contexto que desabafei com a Gatuna. Contei que decidi morar em Tupã sem nunca ter vindo antes. Uma escolha pensada, adulta, mas sem garantias. Disse que cheguei e fiquei, e que a cidade não me perguntou nada, apenas abriu espaço para que eu sustentasse minha própria decisão. Falei dos meus filhos, nascidos ali, enquanto a cidade seguia funcionando. Tupã não parou para celebrar a vida. E talvez por isso mesmo tenha me ensinado tanto sobre continuidade. Disse que foi ali que me realizei como professor. Sal...