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📢 Capítulo 06: Alô Pompeia, tô na Via Expressa

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🏍️😎🧑‍🦯Serie - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado 📖 Via Expressa - ritmos, movimentos  e sons Atravessamos o portal da cidade e adentramos em Pompéia, a Cidade Coração. Gatuna buzina e ronca sem parar, pois ela sabe que aqui é a terrinha, o onde nasci e vivi minha infância e adolescência. Para quem mora por aqui, o trecho urbano da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a SP-294, é chamada de Via Expressa. Um espaço onde os veículos passam com mais intensidade, tanto na quantidade quanto na velocidade. Um território de tensão, uma fronteira no qual a cidade e a rodovia ainda tentam se tolerar. Lembro das travessias quase impossíveis de quando enxergava, o medo que eu fingia não ter, a coragem que eu queria que acreditassem que eu tinha. Hoje, sem a visão, mas com outros sentidos mais acordados, entendo: ninguém cruza a Via Expressa só com o corpo. Cruza-se com cálculo. Com atenção. Com cautela. Prossigo devagar, Quem não vê aprende a sentir antes de acelerar. É e...

📖 Capítulo 5: Ano Novo: Quando a Estrada Volta a Chamar

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🏍️😎🧑‍🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado 👉 Todo começo é uma possibilidade que pede coragem para virar realização. O Ano Novo não chega em silêncio. Ele chega como estrada aberta. Na linha tênue Entre o Real e o Imaginado, os primeiros dias do ano não são sobre promessas ditas em voz alta, mas sobre decisões íntimas. O motor liga cedo. Não porque há pressa, mas porque ficar parado também é uma escolha. Em Pompéia, o ano começa com memória no bolso. O cego sabe de onde vem, e isso importa. Possibilidades não nascem do nada; elas brotam do que foi vivido. Cada lembrança vira base. Cada história, impulso. A estrada leva a Quintana, onde o novo ano ensina que nem toda realização precisa ser grande para ser verdadeira. Às vezes, realizar é continuar. É não desistir. É manter o rumo quando tudo parece pequeno demais para importar — mas importa. Já em Herculândia, o Ano Novo chama mais no corpo. Terra, trabalho, constância. Aqui, possibilidades só se tornam concretas ...

📖 Capítulo 4: O Natal dos sentidos

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🏍️😎🧑‍🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado 🎄 O Natal chega diferente quando se anda por estradas que não dependem dos olhos. Nem todo Natal precisa ser visto para ser sentido. Basta ser vivido, e se possível com muita intensidade! Entre o real e o imaginado, no mundo do Cego e da Gatuna, o período natalino não é marcado por luzes piscando em vitrines, mas por sons que tocam. O ronco baixo da moto corta a SP-294, em plena região da Alta Paulista, como um fio invisível, ligando cidades que aprenderam a existir longe dos grandes centros e perto demais da própria resistência. Em Pompéia, o Natal tem cheiro de quintal antigo e conversa atravessada no portão. É onde a memória insiste em permanecer. Ali, o cego não vê as casas enfeitadas, mas reconhece o tempo pelo som dos familiares e amigos. O Natal, em Pompéia, é reencontro com aquilo que nunca foi embora. A estrada segue até Quintana, pequena, quase silenciosa. No Natal, a cidade ensina que nem toda celebração preci...

📖 CAPÍTULO 3: A GATUNA MÍTICA - O PACTO

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🏍️😎🧑‍🦯 Série - O cego e sua noto: Entre o real e o imaginado Quando passo a mão pelo tanque da Gatuna, não sinto apenas metal. Sinto algo que pulsa, que guarda memórias que não são minhas. Cada risco, cada imperfeição, parece carregar um tempo que eu não vivi, mas que, de algum modo, me escolheu. Giro a chave. Acordá-la é um rito. A Gatuna não liga: ela revive. Seu ronco se espalha como um chamado que vem do fundo do mundo. A vibração sobe pelo meu braço, atravessa o peito e encontra o ritmo do meu coração. É como se dissesse: “Pronto. Agora somos um só sistema, uma organização única, um único mecanismo.” No meu imaginário, tudo fervilha... Seria a Gatuna uma lenda mitológica que se materializou? Seria a Matrix tentando me engolir? Ou minha própria consciência me orientando na caminhada? Seja o que for, fiz um pacto com ela: vamos percorrer as cidades da Alta Paulista, em busca de histórias, saberes e novas descobertas. Na nossa primeira temporada, começamos por Pompéia, Quintana, ...

Pílula do dia... Semeando

1 Que memória o vento ativa quando passa pelo seu corpo?  

📖 CAPÍTULO 2: GATUNA, a moto MÍTICA - O chamado

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 🏍️😎🧑‍🦯 Serie - O cego e sua noto: Entre o real e o imaginado Eu sempre tive vontade de ter uma moto estradeira. Curioso é que, justamente depois que a escuridão tomou conta dos meus olhos, encontrei uma. Não no mundo concreto, mas naquele território profundo onde guardamos o que ainda não vivemos. Ela estava lá, silenciosa, pertencendo ao destino antes de pertencer a mim. Até que, numa manhã qualquer, ouço um som se erguendo. Um ronco que parecia carregar ecos de histórias nunca contadas. Um chamado. Um reconhecimento. Um encontro. Era ela: a Gatuna. Vibrante como uma fera despertando de um sono antigo, sutil como segredos sussurrados, mitológica como criaturas nascidas do encontro entre medo e coragem. Havia algo no motor dela que girava diferente, como se aquela vida não viesse de fábrica, mas de um lugar anterior, impossível de nomear. Naquele instante, percebi: alguma coisa em mim havia sido convocada. E foi aí que começou o pacto. ***DESCRIÇÃO DA ILUSTRAÇÃO – CAPÍTULO 2 ...

🏍️😎🧑‍🦯 Capítulo 01: O cego, a moto e a estrada

 🏍️😎🧑‍🦯 Serie - O cego e sua noto: Entre o real e o imaginado O barulho do vento é o primeiro a chegar. Um vento que corta, que avisa, que empurra. Ele sabe que está na estrada antes mesmo de sentir o cheiro do asfalto quente. A moto, sua Gatuna, vibra sob as pernas como um animal vivo, inquieto e fiel, pressentindo antes dele quando o mundo está prestes a mudar. Ele não enxerga a faixa contínua, os carros passando, o horizonte cinza à frente. Mas sente tudo. Sente a estrada pelo corpo, pelo som, pelo movimento. Lê cada variação do vento como quem decifra um mapa invisível aos outros. De repente, a Gatuna desacelera com aquele ronco grave que sempre o faz sorrir. Ele encosta, colocando os pés no chão como quem retorna a um território sagrado. Um cego sozinho descendo de uma moto no acostamento de uma rodovia. Você consegue imaginar isso? Para muitos, seria absurdo. Mas não para ele. Porque essa estrada não é feita de visão. É feita de vontade. Ele ergue o capacete, respira fund...