📖 Capítulo 4: O Natal dos sentidos
🏍️😎🧑🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado
🎄 O Natal chega diferente quando se anda por estradas que não dependem dos olhos.
Nem todo Natal precisa ser visto para ser sentido.
Basta ser vivido, e se possível com muita intensidade!
Entre o real e o imaginado, no mundo do Cego e da Gatuna, o período natalino não é marcado por luzes piscando em vitrines, mas por sons que tocam. O ronco baixo da moto corta a SP-294, em plena região da Alta Paulista, como um fio invisível, ligando cidades que aprenderam a existir longe dos grandes centros e perto demais da própria resistência.
Em Pompéia, o Natal tem cheiro de quintal antigo e conversa atravessada no portão. É onde a memória insiste em permanecer. Ali, o cego não vê as casas enfeitadas, mas reconhece o tempo pelo som dos familiares e amigos. O Natal, em Pompéia, é reencontro com aquilo que nunca foi embora.
A estrada segue até Quintana, pequena, quase silenciosa. No Natal, a cidade ensina que nem toda celebração precisa ser grande para ser verdadeira. A moto desacelera. O cego percebe que o Natal também mora nas pausas, nos poucos passos, nos ritmos onde o essencial basta.
Passando por Herculândia, a moto reconhece, ao fazer a curva, que a esperança nunca foi reta. Esperançar no perfume das mudas e no cheiro dos grãos é acreditar que a vida é feita também das pequenas maravilhas do mundo.
Por fim, chegamos em Tupã. Cidade maior, cruzamento de caminhos. No Natal, a cidade lembra que toda estrada leva a algum encontro. O cego não vê a árvore iluminada na praça, mas percebe algo mais antigo: gente esperando, gente acreditando. Como se o Natal fosse menos sobre o que se vê e mais sobre o que se sustenta.
Entre Pompéia, Quintana, Herculândia e Tupã, o Natal não é um ponto final. É travessia. É caminho compartilhado. É memória em movimento.
E, nesta noite em que o mundo diminui o passo, o Cego e sua Moto param à beira da estrada invisível para desejar: que cada pessoa encontre abrigo, mesmo que seja dentro de si; que nenhuma escuridão seja maior que a capacidade de seguir; e que o Natal chegue como chega para quem não vê: pelo afeto, pelo som da presença e pela coragem de continuar.
A moto segue.
Mas o desejo fica.
Feliz Natal!
Que Jesus possa renascer na manjedoura dos nossos corações.
Descrição da imagem:
A imagem é uma ilustração colorida, em estilo de pintura suave, com clima de estrada e interior paulista.
No centro da cena, está o protagonista:
um homem forte, por volta dos 50 anos, corpo largo e postura tranquila. Ele está em pé ao lado da moto, levemente de frente para a estrada. Usa boina escura, óculos escuros, jaqueta de couro preta, calça e botas de motoqueiro.
O rosto traz um sorriso discreto, sereno, de quem está confortável no próprio caminho. Não há capacete — a boina é parte clara da identidade dele.
À direita do corpo, está a moto A Gatuna.
Ela é grande, estradeira, no estilo Harley-Davidson. A maior parte da moto é preta, robusta, com muito metal aparente. O tanque é vermelho, e nele está escrito “Gatuna” em amarelo, de forma bem visível. A moto está parada, apoiada, como se tivesse acabado de chegar ou estivesse prestes a partir.
O cenário é uma estrada do interior, durante o dia.
O céu é azul claro, com algumas nuvens leves. Não há iluminação artificial, tudo é luz natural, tranquila. Ao fundo, aparecem elementos das cidades da Alta Paulista, de forma discreta:
casas baixas, uma igreja com torre, árvores, um clima de cidade pequena. Há também um pinheiro de Natal decorado, simples, ao longe — ele não domina a cena, apenas sugere o período natalino.
À esquerda, mais ao fundo, aparecem duas pessoas conversando perto de uma cerca, como vizinhos ou conhecidos, reforçando a ideia de encontro, comunidade e memória. Nada é exagerado; tudo é contido, cotidiano.
No topo da imagem, há uma faixa horizontal, como um pedaço de tecido ou papel envelhecido, com o título da série escrito:
“O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado”.
Na parte inferior, outra faixa semelhante traz a identificação:
“Capítulo 4: O Natal dos sentidos”.
O clima emocional da imagem não é festivo no sentido comercial.
É um Natal silencioso, sensorial, de pausa na estrada. A imagem transmite a sensação de vento leve, cheiro de terra, motor ainda quente e gente que espera — exatamente como o texto sugere.
Não é uma imagem para “ver rápido”.
É uma imagem para permanecer.

Comentários