💡 Capítulo 7: Do nada, o tudo

 🏍️😎🧑‍🦯 Série - O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado

📖 Só quem sente, percebe!

Atraído pelos sons de Pompéia, resolvo continuar passando pelo trecho que a maioria dos moradores da cidade considera o mais perigoso da Via Expressa, a descida do Panelão e do Campão. A Gatuna me leva, e encontramos um ponto exato de latitude e longitude, uma coordenada perfeita onde ocorre uma fusão incrível, uma verdadeira zona de convergência sonora.

Primeiro, os sons são tímidos, depois, logo se enchem, vibrantes: as vozes dos alunos das escolas Grupão - EMEF de Pompéia e do CENE - Escola Estadual Cultura e Liberdade. Ali, tudo junto e misturado. O real e o imaginado se fundem no som do futuro. Risadas, chamados, gritos... Um alvoroço de alegria. O burburinho vivo de estudantes aprendendo a ser gente.

Eu sorrio. Aquele sorriso largo que a escuridão não consegue apagar. No ronco da Gatuna, me dou conta de que a cidade tem um grito e é um grito bonito. Não é de desespero, mas de vida, de promessa, de busca pelo conhecimento. Penso: onde há crianças estudando, há sementes no chão certo.

Acelero devagar, e as vozes vão comigo, gravadas na memória. A Via Expressa segue, enquanto afirmo que o barulho das escolas é o som mais potente não só de Pompéia, mas do Brasil. É ele que fura o escuro, rompe o medo e anuncia que ainda estamos vivos e que ainda dá tempo. Se o futuro tem um som, é esse.

E você? Quando foi a última vez que realmente ouviu o futuro? Não o distante e abstrato, mas esse que passa todos os dias diante de você: o som das escolas, das crianças, das oportunidades que ainda podem ser agarradas?

Na próxima quarta-feira tem capítulo novo. Vamos dar um rolezinho em Quintana. Você vem? Tem lugar na garupa ❤




Descrição da imagem:

Ilustração colorida em ambiente urbano durante o dia. Em primeiro plano, à esquerda, há um homem cego de aproximadamente cinquenta anos, alto e forte, usando boina escura, óculos escuros, jaqueta preta de motociclista, calça jeans e botas. Ele está sentado sobre uma motocicleta grande, no estilo estradeira. A moto é preta, com o tanque vermelho, onde se lê o nome “Gatuna” em letras amarelas. O homem segura o guidão com tranquilidade e exibe um sorriso sereno, voltado levemente para cima, transmitindo sensação de calma e satisfação.

Ao fundo, em segundo plano, vê-se um pátio escolar movimentado. Diversas crianças e adolescentes, com mochilas nas costas, conversam, riem e gesticulam animadamente, formando um cenário de alegria e vida. À direita, destaca-se o prédio de uma escola com o nome “GRUPÃO” na fachada. À esquerda, outro prédio escolar traz o nome “Cultura e Liberdade”.

Mais ao fundo, aparece uma cidade do interior, com casas de telhados avermelhados, árvores verdes e um céu azul claro com poucas nuvens, sugerindo um dia ensolarado e agradável.

Na parte superior da imagem, há uma faixa com o título da série:
“O cego e sua moto: Entre o real e o imaginado”.

Na parte inferior, centralizada, aparece a identificação do capítulo:
“Capítulo 7: Do nada, o tudo”.

O clima geral da imagem é de movimento, esperança e sensibilidade, destacando a convivência entre o protagonista e os sons da cidade representados pela alegria das crianças.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crônica da Segunda: A festa de formatura do meu sobrinho

A voz da consciência