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O Cego que coleciona histórias: 10º Encontro

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 O que revela o invisível quando nos deixamos escutar? O dom do ouvir Dizem que o silêncio é ausência. Para o Cego, nunca foi. É nele que as histórias respiram antes de nascer. Desde que o cajado cruzou seu portão, algo mudou. A casa segue a mesma, as paredes não se moveram, mas o ar… aprendeu outro ritmo. O cajado repousa encostado, como quem dorme de olhos abertos. Não chama atenção. Mas quando o cego o firma no chão, o mundo desacelera. As palavras perdem a pressa. E, por um instante raro, ninguém precisa fingir. Há dias em que a madeira pesa. Não nas mãos, mais fundo, como se carregasse aquilo que não foi dito direito. Em outros, aquece devagar, quase imperceptível, como se reconhecesse algo leve demais para virar palavra. O cego não pergunta muito. Aprendeu que nem toda verdade gosta de ser interrogada. Algumas só aparecem quando encontram espaço. Quem chega traz um nó. Quem sai, às vezes, ainda o carrega, mas já sabe onde ele começa. O cego não guarda as histórias. Nunca guar...